sábado, 13 de janeiro de 2018

ACREDITAR E ESCREVER O NOSSO FUTURO


"É justo reconhecer o mérito do líder do campeonato. Sérgio Conceição tem mais jeito para treinar do que para dar conferência.

O Benfica cumpriu em Moreira de Cónegos as suas obrigações, mantendo viva a chama da luta pelo seu principal, objectivo. Gostei da primeira parte, onde o resultado podia ser mais dilatado. Os primeiros 20 minutos do segundo tempo, foram de menor rendimento, mas as substituições de Rui Vitória equilibraram a equipa que ganhou sem macula nem reparo.
O grego Samaris sistematicamente castigado à margem da lei, saiu lesionado num jogo onde o Moreirense podia (e devia) ter ficado reduzido a dez. Agressividade descontrolada coloca no estaleiro jogadores importantes, imagino as análises se os lances fossem ao contrário.
Jonas voltou a marcar, e acaba a primeira volta com números impressionantes, que só não são maiores porque em Moreira de Cónegos falhou dois ou três golos invulgares, e porque para se marcar um penalty a favor do Benfica é preciso haver no mínimo três em cada jogo.
Este fim-de-semana dobramos a primeira volta com cinco pontos de atraso, o que não seria muito não fosse o nosso Campeonato um dos mais desequilibrados e onde a perda de pontos é muito escassa. Os verdadeiros candidatos não vão perder muitos pontos até ao fim, e por esta razão a deslocação à Pedreira é crucial para o título. Só vejo dificuldades para sábado: o SC Braga é um excelente adversário, o estádio é tradicionalmente difícil e a posição na tabela obriga à conquista dos três pontos. Temos mesmo que fazer um jogo sem mácula para vencer em Braga e embalar para uma segunda volta que nos permita lutar pelo título de campeões nacionais, que, para desespero de alguns, ostentamos nas nossas camisolas há quatro anos.
Há no entanto mérito na liderança do campeonato. O líder apenas perdeu dois pontos em jogos extra-confortos dos candidatos e tem feito um óptimo percurso. Parece de elementar justiça reconhecer esse mérito. Diria até que Sérgio Conceição mostra mais talento para treinar do que para dar conferências de Imprensa, como se viu esta semana reconhecido pelo próprio.
Não antevejo tempos fáceis pelo estado da arte. Ambiente geral e predisposição direccionada, diria até que no futebol em Portugal, vamos ter um futuro cheio de passado. Ainda assim, temos que acreditar e tentar escrever o nosso como o desejamos."

Sílvio Cervan, in A Bola

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