sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O FATURAS FALOU UMA MÃO CHEIA DE NADA. QUE HIPÓCRITA


O mais importante não são os cargos, mas o que fazemos com eles.
A minha recente nomeação para a Comissão Executiva da FIFA, como a vice-presidência da UEFA, é uma oportunidade de Portugal participar na definição de políticas e nas decisões das instâncias do futebol internacional.
Nos últimos anos assistimos a diversas alterações nas principais competições de clubes e seleções, os valores com direitos televisivos e comerciais nunca foram tão elevados e o mercado de transferências movimenta hoje montantes que seriam inimagináveis há poucos anos.
Os desafios que o futebol enfrenta são enormes.
No caso específico da FIFA, trata-se de uma organização que enfrentou um período negro do qual só nos últimos meses começou a sair.
A presença em cargos nas instâncias internacionais é resultado do trabalho que tem sido desenvolvido por toda a equipa federativa, com o apoio dos sócios da Federação Portuguesa de Futebol.
Se na FIFA e UEFA os desafios são enormes, na FPF não são menores.
Há muito para fazer no futebol português.
O ecossistema económico do futebol mundial está a mudar muito depressa e isso levanta desafios enormes aos clubes portugueses, nomeadamente aos que participam nas provas europeias, com repercussões nas nossas competições profissionais. Tenho tido oportunidade de conversar com todos eles sobre estes temas.
Neste contexto, é muito relevante que Portugal consiga ter uma Liga forte.
Para que tal seja possível é necessário que os clubes saibam encontrar pontes de diálogo naquilo que os une – e na minha opinião é muito! – e, de uma vez por todas, deixem de permitir que os seus símbolos, a sua história e a sua força sejam capturados para a apologia do ódio.
Tal como já tive oportunidade de afirmar em diversas ocasiões, o clima que se vive no futebol profissional português é inimigo do crescimento e da afirmação da indústria, quer no plano nacional quer internacionalmente.
É também um péssimo exemplo para os mais jovens e um fenómeno que contribui para afastar o adepto, dos estádios e mesmo da modalidade. E sem adeptos, ‘sem consumidores’, bem se sabe como fica comprometida qualquer evolução positiva de uma indústria, de um ‘negócio’.
Acompanho com particular preocupação o que se passa em dois sectores: a arbitragem e os adeptos.
O constante tom de crítica em relação à arbitragem é inaceitável e impróprio de um país civilizado e com espírito desportivo.
Estas críticas, que muitas vezes são inspiradas em dirigentes com as mais altas responsabilidades, potenciam o ódio e a violência. São, quase sempre, uma forma de tentar esconder insucessos próprios, além de constituírem atos de cobardia.
Esta época, a exemplo do que sucedeu em outras, já houve ações condenáveis que tiveram como alvo os árbitros e que os afetaram a eles e às suas famílias.
Neste contexto, não me surpreenderia se Conselho de Arbitragem e árbitros refletissem profundamente sobre as reais condições que existem, em Portugal, para quem tem a tarefa de dirigir jogos nas competições profissionais.
Que ninguém tenha dúvidas sobre a minha posição: toda a minha força está com os que, diariamente, são obrigados a lidar com insultos, ameaças, insinuações e entraves à tranquilidade que o desempenho das suas funções exige. Nomeadamente os que se expõem na arbitragem e na disciplina, pilares fundamentais deste desporto que amamos.
O clima de ódio tem tido reflexo também entre os adeptos.
Basta olhar semanalmente para o registo disciplinar nas competições profissionais e para as notícias que relatam incidentes – alguns infelizmente com gravidade – entre adeptos de diferentes clubes.
É com profundo lamento que o escrevo: existem sinais de alarme no futebol português.
Os clubes profissionais não podem ignorar estes sinais de alarme.
O Estado não pode ignorar estes sinais de alarme: a arbitragem sob ameaça e constante crítica; a violência entre adeptos; o ódio entre clubes, espalhado por redes sociais e órgãos de comunicação social.
E também o desrespeito de muitos pelas regras que eles próprios aprovaram em Assembleia Geral da Liga.
É uma mistura potencialmente explosiva. Temos de conseguir parar antes que seja tarde de mais.
Em maio de 2016, quando me candidatei ao segundo mandato na FPF, anunciei que me bateria por uma nova lei que punisse de forma mais pesada e efetiva a corrupção desportiva. Após trabalho conjunto e produtivo com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção, da Direção Nacional da Polícia Judiciária, a nova lei foi discutida na Assembleia da República e aprovada pelos partidos.
A acusação de 27 pessoas no chamado ‘Jogo Duplo’ mostrou que existem instrumentos para investigar e acusar.
O Estado, o Governo, a Assembleia da República, os diferentes responsáveis institucionais devem envolver-se cada vez mais neste objetivo coletivo de combater de forma efetiva as ameaças ao futebol, nas suas diversas vertentes.
A FPF está disponível para colaborar com o Estado em todas estas frentes, nomeadamente na revisão das competências do Conselho Nacional do Desporto, um órgão que poderá desempenhar papel fulcral.
A Federação está a fazer a sua parte e estará sempre do lado das soluções construtivas e pacificadoras.
Ninguém pode ficar de fora desta responsabilidade.
Autor: Fernando Gomes

OBS: O presidente da FPF falou um monte de nada, exige-se mão dura e pesada dos orgãos da Federação, mas sobre isso só uma mão cheia de palavras banais. Como diz o ditado, Fernando Gomes quer estar de bem com deus e com o diabo. A hipocrisia ao mais alto nível, isto mete nojo...

ENTREVISTA DE DOMINGOS SOARES DE OLIVEIRA


O passivo do Benfica caiu pouco mais de 17 milhões de euros na época 2016/2017, mas tem sofrido uma grande reconfiguração, que passa pela subsituição das dívidas à banca, dominantes até há pouco tempo.
Em entrevista ao Negócios, Domingos Soares Oliveira revela que as três linhas de obrigações emitidas pelo Benfica - e que estão nas mãos de investidores de retalho e não só - já superam o valor em dívida à banca. Este caiu 88 milhões de euros na época passada, para 125,5 milhões de euros, enquanto a colocação de obrigações subiu 59 milhões, para 151,5 milhões de euros.
Na prática, o Benfica está a usar parte do dinheiro conseguido com as obrigações para abater a dívida ao sistema financeiro. Quanto ao futuro, a estratégia passa pela manutenção deste nível de emissões obrigacionistas, sem aumentar o valor total emitido. Ou seja, quando uma emissão for reembolsada far-se-á outra para a substituir, mas o Benfica não vai ter mais de três emissões vivas ao mesmo tempo.
Quanto ao crédito bancário, a tendência continuará a ser de redução.
SAD do Benfica lucrou 44,5 milhões de euros na época passada, o melhor resultado de sempre. Endividamento bancário caiu e o passivo também, mas há vozes que questionam o custo desportivo da venda de jogadores.
A redução do passivo é para continuar e até acentuar-se, nos próximos anos. Domingos Soares Oliveira, administrador financeiro da Benfica SAD, defende a estratégia do clube, num momento em que, dentro de campo, há várias críticas à equipa.
Estes melhores resultados de sempre não deveriam ter trazido uma maior redução do passivo?
Estes resultados têm uma tradução em termos de activo e de passivo. O que é importante é verificar qual é a tendência destas duas linhas. O activo cresce, o que significa que, por exemplo, na rubrica de clientes temos um acréscimo de 40 milhões de euros. À medida que esse valor for sendo pago isso permite-nos fazer uma redução do passivo mais acentuada. Não existe uma redução de passivo instantânea depois das vendas que fizemos, mas à medida que forem sendo cobradas vão ter tradução numa redução de passivo mais acentuada.
Em termos estratégicos não haverá outro destino para esse dinheiro?
Em termos estratégicos o nosso objectivo é claramente continuar a ter um passivo mais baixo. Queríamos atingir um primeiro marco, que era ter um passivo financeiro inferior ao total de receitas do grupo, o que foi conseguido. O que queremos é que o crescimento das receitas que temos tido possa acentuar essa redução de passivo que temos observado até agora.
"Existe um conjunto de melhorias na nossa relação comercial com a Nos que nos permite
estar satisfeitos com a negociação que foi feita."
Consegue perceber o argumento de quem defende que o Benfica para esta época fez uma opção de privilegiar a vertente financeira em possível detrimento da vertente desportiva?
Ouço esse argumento. E sou capaz de rebater esse argumento, mas se tivesse uma componente estritamente emocional era capaz de o acompanhar. E insisto, o nosso negócio é de associativismo, é muito de clubite, muito emocional, portanto, as pessoas tendem a acompanhar o raciocínio de uma estratégia apenas e só em função dos resultados que foram obtidos num período muito curto. A tendência neste momento não é essa. Nós estamos seguros do que fizemos, a aposta clara na formação é importante. Não é exclusiva, como sempre dissemos não é possível trazer jovens jogadores que não sejam devidamente enquadrados para poderem ter sucesso. Acredito que haja quem ache que poderia ter havido mais investimento, nós acreditamos que é preciso dar oportunidades a jovens jogadores para que eles possam muito rapidamente ter sucesso, porque se não tiverem sucesso aqui vão ter sucesso fora deste mercado. E temos experiências como é o caso do João Cancelo, do Bernardo Silva, do André Gomes. Que pelo facto de não terem tido oportunidades aqui foram brilhar para outros mercados, e não é isso que queremos que aconteça. Queremos que os jovens que estamos a formar com qualidade tenham possibilidade de ter sucesso no Benfica.
O dossiê do contrato com a Nos foi aberto e foi fechado a contento das partes. Não se mexeu no prazo. O que é que melhorou?
Não posso alargar-me relativamente à negociação que foi feita com a Nos. Não foi feito um alargamento do prazo, não mexemos no contrato que temos neste momento de direitos televisivos, os valores são os que publicámos. Mas efectivamente existe um conjunto de melhorias na nossa relação comercial com a Nos que nos permite neste momento estar satisfeitos com a negociação que foi feita, e a Nos também. Neste momento queremos máxima visibilidade para a Nos, que esta volte a ser um parceiro muito significativo de negócio, queremos contribuir – como fazemos com todos os patrocinadores – para que a Nos aumente o seu volume de negócios e queremos que os benfiquistas tenham uma adesão maciça àquilo que é o produto de telecomunicações Nos. Há uma melhoria das condições comerciais que temos acordadas com a Nos.
Como está a questão do "naming" do estádio?
Continuamos a trabalhar no "naming" do estádio. Posso dizer-lhe que ainda na sexta-feira estive a apresentar uma proposta de "naming" do estádio. É uma situação que é extremamente difícil, mas que nós nunca iremos baixar o valor que entendemos que o estádio vale para conseguir fechar um contrato comercial. Estive a falar com um potencial investidor.
Não é preocupante se clubes com mais limitações financeiras possam ter um ano desportivamente mais competitivo do que o Benfica, que não tem essas limitações?
Isso dependerá um pouco daquilo que for a estratégia seguida por cada um e do entendimento que os accionistas, os adeptos, os sócios, tenham relativamente à estratégia que venha a ser seguida. Eu costumo dizer que o facto de termos ganho nestes quatro anos, quer em termos financeiros quer em termos desportivos, não resulta do acaso, não resulta de uma única pessoa, não resulta de um conjunto de jogadores ou de um treinador que seja um mágico. Resulta de uma estratégia que foi definida há cinco anos, implementada com sucesso e que nos permitiu ter esse resultado. E ainda recentemente voltámos a desenhar uma estratégia para os próximos dez anos, que indica uma série de iniciativas e de indicadores que queremos alcançar. Acho que os benfiquistas já compreenderam isso há bastante tempo, que sob a direcção do presidente Luís Filipe Vieira há etapas numa estratégia. Houve uma etapa forte de investimento em infra-estruturas, uma etapa forte de investimento em atletas, uma de investimento naquilo que é a formação e, neste momento, a tendência natural é que onde vamos investir seja cada vez mais na formação e no reforço das infra-estruturas.
Seguindo essa estratégia, é possível que haja percalços no caminho. Percalços não significa a perda de um campeonato, pode ser – como parece ser neste momento – que o facto de não termos ganho dois ou três jogos isso ponha efectivamente em causa a estratégia. Eu acredito, pelas conversas que tenho tido, que ninguém anda satisfeito com resultados que sejam menos bons, mas que o racional que efectivamente existe além do emocional em cada benfiquista leva a dizer que esta estratégia é a certa para termos cada vez mais sucesso. O futebol não é uma ciência exacta e, portanto, quem ganha hoje pode não ser quem ganha amanhã. Nós trazemos uma cultura vencedora, queremos manter essa cultura vencedora, acreditamos que a visão e a estratégia é de médio e de longo prazo. Acreditamos que outras pessoas possam ter a tendência de implementar uma estratégia de curto prazo, mas o Benfica teve uma experiência no passado de investimentos numa estratégia de curto prazo que custou muitos anos a resolver.
Administrador admite que, se tivesse uma visão apenas emocional do futebol, poderia acompanhar o argumento de que a vertente financeira foi privilegiada correndo o risco de haver um enfraquecimento desportivo.
O Benfica vem de duas derrotas consecutivas - uma para a Liga dos Campeões e outra para o campeonato - e isso tem levantado críticas à política do clube, que vendeu vários jogadores titulares da equipa do ano anterior e investiu pouco em reforços.
Questionado sobre se o Benfica privilegiou a vertente financeira em detrimento da vertente desportiva, Domingos Soares de Oliveira admite que ouve esse argumento e até que, "se eu tivesse uma componente estritamente emocional era capaz de o acompanhar". No entanto, rebate essa tese e explica a razão pela qual o clube não gastou muito em novos jogadores para a equipa, apesar de ter encaixado mais de 100 milhões de euros em vendas.
"Nós estamos seguros do que fizemos, a aposta clara na formação é importante", explica. "Acredito que haja pessoas que pensam que devia ter havido mais investimento, nós acreditamos que é preciso dar oportunidade a jovens jogadores para que eles possam muito rapidamente ter sucesso", acrescentou.
Deu o exemplo de talentos como Bernardo Silva ou João Cancelo, que saíram muito cedo do Benfica e estão a ter sucesso internacional, pretendendo o clube que esse tipo de jogadores se possa aguentar por cá mais anos. "Queremos que os jovens que estamos a formar com qualidade tenham a possibilidade de ter sucesso no Benfica", conclui.
Benfica e Nos concluem com sucesso renegociação do contrato televisivo
Administrador financeiro do Benfica diz-se muito satisfeito com os novos termos mas não divulga montantes nem outros pormenores.
O Benfica e a Nos já chegaram a acordo para a renegociação do seu contrato relativo aos direitos televisivos. Em entrevista ao Negócios, Domingos Soares de Oliveira confirma que o dossier "foi aberto e foi fechado", com sucesso.
"Não foi feito um alargamento do prazo, não mexemos no contrato que temos neste momento de direitos televisivos, os valores são os que publicámos", afirmou o administrador da SAD do Benfica. "Existe um conjunto de melhorias na nossa relação comercial com a NOS que nos permite neste momento estar satisfeitos com a negociação que foi feita, a NOS também", acrescentou.
O responsável escusou-se a revelar os pormenores, mas, não passando pela renegociação do prazo ou do valor específicamente sobre os direitos televisivos, terá havido um aumento da abrangência do contrato em termos de áreas.
O contrato entre a Nos e o Benfica tem um valor médio de 40 milhões aos ano para a SAD, começando por um valor anual mais baixo e terminando, no último ano, acima desse valor, perfazendo 400 milhões em dez anos.
O Benfica foi a primeira SAD a fechar um contrato deste tipo, mas depois de Porto e Sporting (este último também com a Nos) terem assinado os seus acordos, a SAD liderada por Luís Filipe Vieira vinha reclamando uma revisão dos seus termos, algo que já está feito.
In Jornal de Negócios

PRIMEIRAS PÁGINAS


ABUTRES NO NINHO DA ÁGUIA


Por mais dinheiro que custem ou ganhem as suas peças, as equipas de futebol não são constituídas por máquinas. Por isso, a estratégia como se absorvem os momentos de crise de forma, ou de confiança, pode ser mais ou menos eficaz no cumprimento da intenção de voltar às vitórias. O Benfica está com um futebol telegrafado, previsível, contrariável.
A maneira como Rui Vitória está a lidar com esta fase má da sua equipa não se afigura a mais adequada. Esbraceja mais do que Sérgio Conceição e inventa mais do que Jesus (este, aliás, esta época, não tem inventado nada). O esbracejar, pressionando a equipa de arbitragem por dá cá aquela palha, seria o menos grave se não fosse sintoma de um mal mais profundo: a falta de opções para lugares-chave e o efeito em cadeia que tal carência tem gerado em más opções de jogo.

Pobre guardião e defesa que tem no meio-campo um equívoco chamado Filipe Augusto, a trinco, e que, por arrasto ou não, vê Pizzi sem as soluções e velocidade de decisão que fizeram dele um destaque na época passada. E, assim, a bola chega mal aos flancos e pior à área contrária.
Mas o jogo de ontem deixou boas indicações sobre várias peças ainda pouco rodadas, apesar de ter acabado num empate, e com Rui Vitória a ser pouco claro nos terrenos a pisar pelos substitutos, que entraram já após o empate do Braga. O caso gritante foi Pizzi, que chegou ao final do jogo sem que se percebesse se entrara como solução no flanco direito, função para que está sem velocidade, ou para o centro, onde chocava com o prometedor Krovinovic. Uma outra nota sobre um jogador em concreto: Gabriel Barbosa bateu às portas da Europa, a jogar no Santos como segundo avançado, com um nove fixo na frente (o veterano Ricardo Oliveira). É no centro, e com mobilidade, que este jogador poderá render alguma coisa.
Efeito, que se vai tornando causa, deste mau momento, é a agitação lançada por alguns abutres que frequentam o ninho da águia. Neste domínio, Rui Gomes da Silva escolheu o pior momento para atacar a estrutura de que saiu por Vieira não lhe querer reconhecer o estatuto de número-dois. Várias das farpas lançadas pelo ex-vice podem até refletir realidades no âmago da vida do Benfica. Mas são realidades persistentes. Se a crítica pretende ser construtiva deve ser feita quando as coisas ainda estão bem. É quando a doença ainda não descambou para uma fase aguda que pode e deve ser atacada com êxito. O perfil de Rui Costa é o mesmo de sempre, a falta de contratações ao nível dos jogadores que saíram é um facto desde o primeiro dia de setembro. Altura em que a sua voz soaria bem no silêncio geral.
Agora, Rui Gomes da Silva teve uma entrada fora de tempo, que desestabilizou ainda mais a equipa. Isso os benfiquistas não costumam perdoar nem esquecer.
Octávio Ribeiro, in Record

AQUECIMENTO - BENFICA TV - 21 SETEMBRO 2017

                                           

AS BOAS CONTAS E O BOM SENSO


"O Benfica respondeu às críticas sobre o actual momento da sua equipa profissional de futebol com um resultado grandioso das contas da SAD na época de 2016/17.
O activo passou os 50 milhões de euros, o passivo foi reduzido em quase 4 por cento, os rendimentos totais superaram os 250 milhões de euros e o resultado líquido atingiu os 44,5 milhões, mais de o dobro da época anterior que, por sua vez, já tinha sido mais de o dobro da época de 2014/15.
Com estes resultados, o Benfica responde a todos, utilizando até o seu Twitter oficial para a imprensa para responder também directamente ao FC Porto lembrando que o rival «está intervencionado pela UEFA» devido ao seu «descalabro financeiro».
Há, no entanto, uma questão essencial: o Benfica só conseguiu estes excelentes resultados desportivos, que lhe permitiram projectar internacionalmente os seus jogadores no único palco que conta para a sua valorização: a Champions.
Diz Domingos Soares de Oliveira, sem dúvida um dos mais decisivos arquitectos da solidez do actual edifício financeiro da SAD do Benfica, que existe um plano estratégico definido para 10 anos e do qual o Benfica não se afastará.
Entende-se o argumento que, aliás, é louvável. Porém, os planos estratégicos no futebol devem ter alguma flexibilidade e, como em tudo na vida, contar com o bom senso. Assim, se numa determinada época, o Benfica não tem jovens jogadores na sua formação capazes de resolver o imediato, há que ser competente no mercado para comprar bem, ganhar, valorizar, mostrar e, depois, vender melhor."

Vítor Serpa, in A Bola

TODOS CONTRA O BENFICA INCLUINDO O BENFICA


Não é novidade para ninguém que, depois do desastre desportivo da época passada, o Sporting precisa de ter êxito este ano, sob pena de o projeto de Bruno de Carvalho ficar em causa; também não é novo que para o FC Porto – após décadas de supremacia – os últimos anos mostraram uma fragilidade desportiva e financeira que atiraram o clube para uma situação insustentável. Ou seja, esta época é crucial para os rivais do Benfica e todos, todos são todos, têm isso bem presente.
Sporting e FC Porto terão criado, ou não, a doutrina divide-se, uma aliança ao menos temporária para visar o rival com uma estratégia de comunicação que, sendo autónoma e bem pensada (quase sempre), converge em muitos momentos. Até agora em quase todos. No plano estritamente desportivo, leões e dragões foram competentes no trabalho da pré-época, mesmo tendo limitações.
O FC Porto, sem poder comprar, chamou quem estava fora, trocou de treinador escolhendo alguém com uma cultura competitiva e uma personalidade mais marcante, como contraponto à competência demasiado bem educada e mal sucedida nos momentos chave de Nuno Espírito Santo. O Sporting, mantendo um elevado número de entradas e saídas, fez algumas dispensas e vendas duvidosas, como as de Esgaio ou Paulo Oliveira, mas reforçou-se bem, trazendo jogadores experientes, como Mathieu ou Coentrão, e jogadores jovens, como Bruno Fernades que acrescentam efetivo valor à equipa. Os rivais ainda não ganharam nada, mas estão a fazer bem o seu trabalho e o Benfica, talvez por considerar que ambos erraram demasiadas vezes no passado recente, desvalorizou essa possibilidade. Um erro de avaliação que pode custar caro.
Esta é uma das frentes do problema – o estado em que FC Porto e Sporting seguem na Liga e, no caso do Sporting, a boa entrada também na Champions. Em simultâneo, os dois clubes não parecem ter problemas internos e – valha a verdade – não os têm porque estão a ganhar no futebol e tudo o resto fica para trás das costas.
A exiguidade e desequilíbrio do plantel do Benfica saltava à vista, apesar de uns quantos, sobretudo entre portas, o quererem agora negar ou minimizar, tapando um gigantesco sol com uma pequena peneira. Claro que se a equipa voltar rápida e consolidadamente a ganhar – e a Taça da Liga não serve de botola nas vitórias, só nas derrotas – tudo serena. Mas, mesmo ganhando o Benfica, não resolverá o problema das fragilidades do grupo e teria sido possível comprar um pouco mais e melhor. Por extensão não resolverá a agitaçao interna – o ‘caso’ Nuno Gomes, gerido às três pancadas, tem umas semanas, a probabilidade de Rui Gomes da Silva aparecer mais vezes é diretamente proporcional aos golos falhados e sofridos.
No meio de tudo isto, há o ensurdecedor silêncio de Luís Filipe Vieira, mesmo que uns quantos falem em nome dele ou se desdobrem a explicar que o presidente anda dia e noite no apoio à equipa. Vieira deve falar, não por causa da crise, mas para acabar de vez com o assunto. Uma entrevista a sério, em direto numa televisão de canal aberto.
O ego de Neymar e a fúria de Cavani
O triste e decadente espetáculo das vedetas do Paris St. Germain mostra o pior lado da natureza humana, não apenas dos jogadores de futebol. A vaidade e a importância de cada um torna-se mais relevante que o coletivo e esse facto pode, se não for estancado de imediato, tornar-se num desastre para o Paris St. Germain. Exagero? É esperar para ver. Desde logo, o clube não tem cultura de ‘grande’. Tem muito dinheiro, mas o dinheiro não compra tudo. O treinador parece ser, do ponto de vista disciplinar, uma fraca figura, e mesmo a forma como o poderoso presidente comentou o caso revela o medo que tem da reação de Neymar, antes de qualquer outra. Afinal, ele criou o monstro e terá de o alimentar. Sucede que o uruguaio Edinson Cavani, que viveu anos na sombra do poderoso Ibrahimovic, não tem – como se viu – cara de quem se vai ficar no meio da escola de samba, em especial no duelo com Neymar, enfim um génio completamente fora da lâmpada. O assunto pode ser menor, se for resolvido, ou transformar-se num tema sério. Mesmo nunca tendo lidado com vedetas de tal calibre, o português Antero Henrique é de longe a pessoa mais qualificada para juntar as partes. Para já. A seguir será necessário tomar medidas radicais. A corrente vai partir pelo elo mais fraco.
Paulinho. Com perfil técnico baixo, se pensarmos na escola brasileira, o médio Paulinho é um daqueles jogadores que, pela simplicidade e eficácia do seu jogo, pelo poderio físico e capacidade de liderança, acaba por ter um papel preponderante nas equipas. Com um fraco desempenho na Europa, em concreto no Tottenham, Paulinho entrou no Barcelona sob o olhar muito desconfiado dos analistas e adeptos. Dois golos e duas boas performances mostram que ele pode somar. Afinal, sempre é um titular da seleção do Brasil.
Matic. É uma das estrelas do arranque da Premier League com um papel central na boa carreira do Manchester United. Não é exatamente uma surpresa, se pensarmos nas suas qualidades e no perfil que Mourinho procurava, mas a história ainda por contar é por que foi, afinal, dispensado pelo Chelsea e vendido a um rival direto. Admitamos que Antonio Conte vê no seu substituto, o francês Bakayoko, um jogador com mais capacidade – o que está ainda por comprovar. Com tantas frentes, a dispensa do sérvio é um erro; evitar que continuasse em Inglaterra deveria ter sido uma prioridade. Conte queixa-se mas é o primeiro responsável.
Nuno Santos, in Record

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

RAÚL JIMÉNEZ: "FUERZA MÉXICO"


"A 25 de Agosto de 2014 vi o Raúl ser substituído aos 60 minutos por Diego Simeone em Vallecas. À época até pagaria o bilhete só para ver aquele futebol lírico do Rayo de Paco Jémez, onde até aos nossos bem conhecidos Zé Castro e Abdoulaye Ba, centrais de posição, eram permitas as maiores habilidades. Não havia maior contraste para futebol 'con ganas de triunfar' do Atlético e, em silêncio (ofício oblige), dei por mim a vibrar com cada perda de bola do mexicano que, admito, nunca havia observado anteriormente e de quem apenas tinha ouvido falar pelas excelentes estatísticas que trazia do América e da selecção mexicana.
Assim que levantaram a placa que ordenava a saída do camisola 11 logo me segredou perentório o meu colega de bancada "No me gusta". Antigo responsável pelo recrutamento para a academia do Atlético Madrid, agora a trabalhar para um clube da Premier League, para ele o diagnóstico estava feito e assumido: o reforço rojiblanco para La Liga 14/15 era um "tonto".
Da mesma forma que verifiquei a excessiva facilidade com que sistematicamente perdia a posse da bola, fruto de um processo de decisão ainda demasiado ingénuo para o futebol europeu, não deixei de ficar extremamente interessado pela coragem, a disponibilidade, a dinâmica fluida, com dimensões atléticas e técnicas já bastante evoluídas, que Raúl Jiménez imprimia a todas as iniciativas com bola ou pela posse da bola.
Eu trabalhava então para um gigante adormecido do futebol alemão, atolado na 2.ª Bundesliga, fruto dos devaneios de grandeza de dirigentes e empresários. A árvore das patacas tinha sido seca pelas comissões, ordenados e prémios de assinatura de 'falling stars' como Maniche. A minha única esperança de um dia vir a recrutar um jogador do vencedor da Liga Europa era esperar por aqueles que mais tarde ou mais cedo vão parar ao caixote dos 'dispensáveis'. Percebi naquele dia, no dia da estreia do mexicano na liga espanhola, que Raúl Jiménez tinha tudo para se dar mal tanto com a 'afición' do Atlético como com Diego Simeone. Como tal, o meu interesse no jogador aumentou exponencialmente! Tinha entrado no meu radar e daqui nunca mais saiu, até pela demora em afirmar-se como titular no Benfica de Rui Vitória.
Foi pois com sentimentos mistos que o vi chegar ao Benfica, para mais pelas verbas envolvidas. Se por um lado teria agora oportunidade de acompanhar este jogador bem mais de perto, por outro, o investimento realizado na sua aquisição obrigava, quase que necessariamente, a uma aposta consistente na sua utilização e assim sendo, novamente, um titular de uma grande equipa como o Benfica dificilmente estaria ao alcance de um grande clube alemão em fase de recuperação financeira e desportiva, mesmo que entretanto já tivesse alcançado a promoção para a 1.ª Bundesliga.
Tal como em Madrid, embora com contornos diversos, Raúl tem tido grandes dificuldades em convencer o Estádio da Luz. Caucionado pelo engenho de marcar em momentos decisivos para a sua equipa e não raras vezes com indiscutível nota artística, mesmo assim será difícil encontrar adepto encarnado que o prefira ao pistoleiro Jonas, ou mesmo ao recém chegado Seferovic.
O mexicano não tem tido vida fácil desde que trocou de continente, mas quer parecer-me que esta situação terá tanto por culpa própria quanto pela incompreensão alheia. Ou será que é congénita a dificuldade que alguns craques têm em encaixar o seu 'futebol natural' em campeonatos onde a cientificidade (generosamente chamemos-lhe assim...) defensiva se sobrepõe ao primado do golo e do 'espectáculo desportivo'?
Mas isto também pode explicar o porquê de Rui Vitória querer ter no banco uma arma deste calibre... 
Raúl Jiménez nasceu para ser um grande avançado. É o jogador que se ama e que se odeia. É o jogador que traz gente aos estádios porque traz imprevisibilidade ao jogo.
Está tudo lá. A paixão pelo jogo e a sede pela vitória acompanhadas por um biótipo perfeito e uma técnica sempre disponível para qualquer forma de finalização. Se os avançados fossem desenhados num estirador, Raúl Jiménez seria o esboço para qualquer um. É certo que cada jogador tem o seu ritmo de maturação, mas também é verdade que num futebol cada vez mais impaciente e exigente com a juventude, certas decisões no jogo, alguma falta de rasgo nas movimentações sem bola, aos 26 anos já começam a pesar como cadastro. Parece que o jogador ainda não é tudo aquilo que podia ter sido. Mas o que o impede de ser?
Numa equipa a pisar o risco da crise desportiva, que sucessivamente joga 'a diesel' sem conseguir passar da quarta, a 'fuerza' do mexicano é exactamente do que Rui Vitória pode estar a precisar desde o apito inicial.
A verdade é que ao contrário de muitos outros avançados que necessitam de ter todo o carinho e de algum vento de bolina para ganharem a confiança que caracteriza um matador, deste mexicano podemos esperar sempre tudo. Sem muitos minutos de jogo, ele marca muito e marca bem, da mesma forma como por vezes parece jogar pouco e jogar mal.
No futebol por vezes quando se quer evitar um terramoto e preciso dar um abalo e a mudança de estatuto no seio de um plantel pode ser exatamente do que este Benfica necessita para sair da letargia. 
A minha sugestão é esta: Raúl Jiménez e mais dez e podemos conversar antes mesmo do Natal. 
'Fuerza Mexico'"

CARTOON


VENDAM OS DEDOS. TAMBÉM HÁ INTERESSADOS


Estamos longe de saber exatamente o que será esta Nations League
Demasiado fervor, por agora, é precipitação. Estamos longe de saber exatamente o que será esta Nations League, como será operacionalizada, que género de mobilização provocará e, aliás, se virá a vingar. A história das competições internacionais está cheia de fracassos, e alguns deles até foram apostas de charneira, como a Taça das Confederações ou o Mundial de Clubes.
Mas, em abstrato, vale a pena dizer isto: qualquer alteração ao mapa de competições, ademais tratando-se de reforçar a mercantilização do futebol, é arriscada tanto do ponto de vista do êxito como do da identidade do jogo; e qualquer competição que aumente a já extraordinária sobrecarga dos clubes começa a deixar de ser arriscada para passar a ser insana.

Mas isto sou eu, que acho que as contas nem sempre se fazem no fim. Para a UEFA, como para a FIFA, primeiro engendra-se, depois distribuem-se mordomias, a seguir fatura-se tudo o que se pode e só no fim se vê se de facto funciona, se é justo para com os diferentes players e se não desvirtua a modalidade.
Mas, se desvirtuar, desvirtuou, que isso é o menos importante.
MUNDO DE ILUSÕES
Onde é que isto vai parar?
Semanas em que não há Liga dos Campeões transformam os noticiários numa espécie de "jornais do incrível", com a ressalva de que as notícias são absolutamente verdade. Mas esta segundo a qual a liga espanhola passou a multar os clubes que não preencham 75% das bancadas focadas nas transmissões televisivas bate recordes.
Não é o futebol, não: é o tempo que vivemos. E é deprimente, às vezes.
Joel Neto, in o Jogo