segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

PRIMEIRAS PÁGINAS


DAR VALOR AO BENFICA


"Até ao fim de semana de 15 de Abril, quando recebermos o FC Porto na Luz, teremos de conquistar 33 pontos em 11 jornadas

1. O Benfica, com uma primeira parte de elevada nota artística, aproximou-se do Sporting e mostrou, a alguns distraídos, que está, de verdade, na luta pela conquista desta Liga. Este Benfica, forte e com dinâmica, com muito talento e elevado convicção, está no caminho da conquista do penta. Faltam oito jogos no Estádio da Luz, outros quatro da área metropolitana de Lisboa e deslocações a Portimão, Paços de Ferreira e Santa Maria da Feira. O que importa, mesmo a sério, e até ao fim de semana de 15 de Abril - data em que receberemos, na Luz, o Futebol Clube do Porto - é conquistar três pontos nas próximas onze jornadas. Trinta e três pontos que, se conquistados, serão determinantes para as vitórias finais numa competição em que alguns jogaram, até ao momento, muito fora dos relvados e outros não reconheceram - pelo menos até ao jogo de ontem frente ao Chaves - o valor desta equipa do Benfica. Mas o Benfica, jogo a jogo, e com o colinho dos seus fiéis adeptos, e concentrado apenas na Liga, está a provar, dentro dos relvados, que tem vontade e valor, para se sagrar campeão e atingir um feito histórico na sua secular história.

2. No passado domingo o Benfica conquistou, em futsal, a Taça da Liga. Foi a sua primeira conquista desta Taça e, assim, garantiu o único troféu que lhe faltava nesta cada vez mais atractiva modalidade. E, no final, tivemos um momento de imenso fair play: o Sporting, digno vencido, saudou o Benfica e fez alas para aplaudir a indiscutível equipa vencedora. Recordei, no momento, um dos homens que marcou o século XX, Winston Churchill: «No desporto, na coragem e à vista do céu, todos os homens se encontram em termos de igualdade». E o desportivismo, de ontem e de hoje, é isto mesmo. E aqueles aplausos, neste concreto momento e nas suas actuais circunstâncias, foram um bom exemplo de uma moral que alguns julgavam esquecida. Mas o desporto, em certos instantes, pode pôr na ordem naquilo que é um relativo caos. Tal como, em outra medida e em outra moral, o bolo de bolacha do restauranteLisboa à noite, nos prepara, em muitas quintas-feiras, para um animado, pluralista e respeitador Quinta na BolaTV! Com o tom azul do Miguel a garoupa do À Toni - um abraço! - e os desejados chocolates do Professor Henrique. E sempre como um Amigo, amigo de peito, a jantar duas vezes às quintas!!! E agora com o estimulante regresso, na próxima semana, do nosso Bom amigo Vítor Serpa. Sempre a tempo!

3. Fábio Coentrão perdeu a cabeça no final do jogo de Setúbal. Perdeu a caneça, espalhou a língua e mostrou a sua força no banco de suplentes do Estádio do Bonfim. Acredito que só a boa vontade, mais a complacência, do árbitro e do conjunto dos seus auxiliares, permitiu que não fosse severamente sancionado Com a consciência que o Sporting perdeu os três pontos aos noventa e quatro minutos e o Vitória de Setúbal de José Couceiro conquistou um preciso ponto.

4. Terão sido trinta e cinco metros. Quase mais doze metros que a onda surfada pelo americano - e cada vez mais português - Garrett McNamara na Praia do Norte, na cada vez mais atractiva Nazaré. E com este município, tal como a Ericeira ou Peniche, a saberem aproveitar a crescente procura da prática do surf para um outro desenvolvido turístico. Terão, sido trinta e cinco metros de onda. Sim o português Hugo Vau - fixem este nome que vive e agarra o mar nos Açores, em concreto na Terceira - pode ter batido o recorde da maior onda surfada e assim ter aproveitado, neste inverno, o cada vez mais famoso canhão da Nazaré. A ser certificado este momento único - o que se deseja firmemente - fica não só como uma «história de persistência» mas também como um momento para a história da Nazaré e das suas singulares ondas gigantes. E sendo história será, como já é, um espaço cada vez mais procurado e referenciado. Também desta forma se constroem destinos, singularidades, ondas únicas e heróis que só são anónimos no topo da espuma, bem deliciosa, daquela onda que os faz entrar na história concreta de um canhão que está a levar a Nazaré, e as suas gentes, a todas e a todos os surfistas desta aldeia global. Que são cada vez mais, de todas as idades e cores, de todas as classes e origens. Afinal são nossos vizinhos!

5. Faltam dez dias para o término deste período de inverno do mercado de transferências. Vi negócios de milhões e empréstimos julgados impossíveis. Alguns jogadores, escondidos em plantéis ditos de luxo, ambicionam a mudança de camisola, principalmente se legitimamente desejarem marcar presença no lote de seleccionados da respectiva selecção nacional no Mundial da Rússia. E se repararmos no lote de campeões da Europa há jogadores que precisam de jogar, que desejam mudar de clube ou que esperam outro treinador para sonharem integrar o pequeno lote que Fernando Santos escolherá para representarem a selecção de todos nós. Nestes dez dias vai aquecer o mercado de transferências. Como vão enriquecer - em tese! - os intermediários já que, nesta sede, o controlo é, em certos casos, bem escasso em razão da sedimentada globalização financeira. O agente de Aleis Sánchez, que ontem chegou ao Manchester United - de seu nome Fernando Felicavich - arrecadou 17 milhões de euros pela intermediação! Bem longe, recordemos, dos 48 milhões de euros que couberam a Mino raiola, o intermediário que levou da Juventus também para o Manchester United o francês Pogba. Ou seja em menos de dois anos o MU pagou, em apenas duas transferências, à intermediação 65 milhões de euros. É dinheiro! Muito dinheiro. E assim se faz, e constrói, uma certa prestação de serviços associada ao futebol contemporâneo.

6. Importa acompanhar a segunda Liga. Talvez a mais competitiva dois últimos anos. A diferença entre os segundos - hoje Académica de Viseu e Nacional - e o décimo quarto, o União da Madeira é de doze pontos. A diferença do FC Porto para o quinto classificado da Liga é, hoje, se o Rio Ave vencer o Boavista, de quinze pontos. E importa não ignorar que quem subir à primeira liga vê multiplicar por dez os seus direitos televisivos. Talvez seja importante, também em razão do Gil Vicente, não descurar o acompanhamento permanente desta Liga 2. Que época a época tem menos jogadores portugueses. Como bem evidencia o sério estudo do nosso Sindicado dos Jogadores. Bem liderado pelo Joaquim Evangelista."

Fernando Seara, in A Bola

O PIOR CEGO...


"Não vou falar de «labregos» o afins (ou talvez sim...), vou falar da perplexidade que foi apanhar o secretário de Estado do Desporto (que amiúde parece só existir atrás de um microfone) a dizer que não há «clima de guerra no futebol português» - e ao ouvi-lo, lembrei-me do que sucedeu em 1943, no jogo com o Sporting que fez do Benfica campeão. Apesar de para fora de campo só ter ido o Azevedo, magoado pela bola que saiu em bala do pé do Teixeira - desse jogo soltou-se, inédita e apudorada, a «ordem superior» (que era como se tratava o que no governo de Salazar se decidia) que determinou:
- ... por se terem verificado infracções às regras da boa educação, tais como: golpes intencionais de violência; demoras escusadas no jogo; assomos de protestos; falta de compostura nas saudações; tirar a bola do sítio da marcação das faltas e mandar a bola intencionalmente para fora - com a agravante desses actos serem praticados na presença do sr. Ministro da Educação Nacional, são o Benfica e o Sporting multados em 2000 escudos, cada qual.
Dois contos não ganhavam, então, de ordenados mensais, os seus melhores jogadores - e a ideia era impor «de vez» o respeitinho («que era muito bonito»). Tinha-se «sorte» porque, em Espanha, o Salazar de lá, lançou mais rude o «ataque às incidências do futebol», ordenando que «perturbadores da ordem pública» (por «palavras ou actos», nas bancadas e não só...) fossem internados em campos de concentração:
- ... onde, em ambiente de disciplina e trabalho, terão tempo e oportunidade de meditar sobre o respeito que se deve guardar aos outros e sobre a forma de não dar rédea solta aos seus mais instintos.
Sim, eu sei: são outros os tempos e terão de ser outras as atitudes. E, não sendo preciso o campo de concentração - começa a ser preciso ao futebol de cá mais do que um SED a lavar-se como Pilatos, acantonado no lado mau da frase do Nélson Rodrigues que diz que no futebol o pior cego é o que só vê a bola..."

António Simões, in A Bola

FLUIDEZ, RAPIDEZ, CRIATIVIDADE


"Excelente primeiro tempo de um Benfica confiante e dominador; depois, controlou e geriu espaços.

Estudo mútuo
1. Depois do empate do Sporting e dos acontecimentos no Estoril, o Chaves era o adversário ideal, porque difícil, para o Benfica dar prova real de que as últimas exibições não tinham sido obra do acaso, mas sim fruto da consolidação dos novos processos que a implementação da estrutura táctica de 4x3x3 exigia. Na primeira meia dúzia de minutos, o jogo esteve calmo como se ambas as equipas se estivessem a estudar e com o Benfica mais focado na qualidade do passe sem riscos e numa dinâmica de posse e de segurança. Com o decorrer do tempo, os encarnados foram subindo no terreno, aumentando a velocidade da circulação de bola, quase sempre a um ou dois toques na fase de construção, e dando mais dinâmica e mobilidade a todos os seus jogadores.

Os triângulos
2. O Chaves começava a sentir dificuldades para a marcação mais directa que quis implementar aos jogadores mais avançados do Benfica. Mesmo assim, manteve-se sempre coeso e com as linhas muito juntas, mas foi recuando, não por estratégia, mas por imposição do jogo encarnado, que, aos 13 minutos, materializou em golo, num grande momento de Jonas, o domínio já exercido em todos os momentos do encontro. Com forte reacção à perda da bola, o Benfica não dava tempo nem espaço às tentativas de construção dos flavienses. Com bola, mostrava um futebol a toda a largura do terreno, fluído, rápido, criativo, onde os alas, Cervi e Salvio, apareciam muito no jogo interior, dando espaço para os laterais assumirem a profundidade que o jogo exigia. No corredor central, Krovinovic, Pizzi e Jonas descobriam e abriam espaços entrelinhas, construindo sucessivos triângulos, onde as tabelas ao primeiro toque foram as armas do desequilíbrio da estrutura defensiva dos transmontanos. Por isso, e como consequência do bom jogo ofensivo, o segundo golo apareceu naturalmente, após boa jogada de Salvio pelo corredor direito num passe rasgado para trás que deu o golo a Jonas. Quarenta e cinco minutos excelentes de um Benfica confiante e que, dominando o jogo, conseguiu dois golos e poderia ter aumentando a sua vantagem.

Pizzi mata jogo
3. No começo da segunda parte, o golo do Pizzi, aos 47', matou o jogo e transformou o Benfica dominador da primeira parte numa equipa de controlo e gestão dos espaços. Foi tempo de aparecer um Chaves que pôde demonstrar o seu ADN de posse e passe curto, sem contudo nunca importunar as redes da equipa de Rui Vitória, que naturalmente foi também gerindo os seus jogadores sabendo que a vitória dificilmente lhe fugiria."

Henrique Calisto, in A Bola

BENFICA REVIGORADO


Um Jonas galáctico materializou a vantagem do Benfica quando o mínimo que se pedia aos encarnados era competência para não desaproveitarem os pontos perdidos pelos leões no Bonfim. Não que a situação em relação ao título tenha melhorado, aí é o FC Porto quem mais ordena, e a formação orientada por Conceição não facilitou frente ao Tondela, mas com o triunfo perante o Chaves o clube da Luz acrescenta mais um bálsamo moral à aproximação aos rivais da Segunda Circular.
O campeão foi, porém, muito mais do que competente. Teve momentos avassaladores e no goleador brasileiro o homem que soube dar o melhor destino a tudo o que Krovinovic, Pizzi e outros criaram. Rui Vitória já viu a equipa jogar de forma medíocre esta época e isso deixou-a fora de todas as provas à exceção da Liga, em timing pouco habitual na Luz. Mas o Benfica reagiu a tempo de lutar pelo campeonato e o facto de ter apenas um jogo por semana pode ajudar a aproveitar o desgaste esperado dos rivais. A qualidade está lá, num plantel riquíssimo apesar das saídas – principalmente em termos ofensivos – e o treinador soube dar a volta ao texto. A mudança do 4x4x2 para o 4x3x3 parece hoje fazer todo o sentido, e consiga Fejsa aguentar-se sem lesões até final e o Benfica tem um sonho legítimo no Penta.

PS: Péssima notícia a rotura de Krovinovic. Para ele e para o clube.

Bernardo Ribeiro, in Record

O " FAIR PLAY " É UMA TRETA...


"... e o 'karma', se calhar, também. Mas há dias em que aparece. Este fim de semana apareceu no Bonfim e no Dragão.

Minuto 90 no Bonfim. O Sporting está a ganhar mas a vantagem é curta. Gelson Martins, que ia ser substituído por Podence, aparece no chão. O Vitória tem a bola na sua defesa e prepara-se para novo (e desesperado) ataque. O árbitro interrompe a partida para que a equipa médica leonina assista o extremo caído. Gelson sai, Podence entra. Minuto 90+2. Bola ao solo. William Carvalho vai devolver a bola aos sadinos, mas em vez de a colocar num defesa (onde ela estava quando o jogo foi interrompido) ou no guarda-redes mete-a pela linha lateral. O público assobia e o banco do Vitória protesta. 'Aquilo não é fair play'. É só chico-espertice disfarçada de fair play. Lançamento para os sadinos. Nuno Pinto vai executar. Podence - cumprindo as ordens que uns segundos antes recebera (viu-se na TV) de Jesus - é o primeiro a pressionar, para que a bola não saia dali, do meio-campo adversário, onde para o Sporting estava muito bem. Minuto 90+3. Nuno Pinto lança, a bola salta e ressalta numa confusão de pernas e sobra para Gonçalo Paciência, que a mete na frente, isolando Edinho, que apesar dos 35 anos ainda tem velocidade para bater a (demasiado) subida defesa do lesão e ficar, sozinho, na cara de Patrício. Em desespero Mathieu fazpenalty. 90+4. Golo do Vitória. E o Sporting vê dois pontos a voar.
Com um dia disse alguém, o fair play é uma treta. Talvez seja. E, se calhar, o karma também. Mas há dias em que aparece. E ontem no Bonfim apareceu. Talvez se em vez de meter a bola para fora William Carvalho a tivesse devolvido a um defesa (ou até ao guarda-redes, vá...) do Vitória aquela jogada nunca tivesse acontecido e o Sporting ainda hoje fosse líder. E não é.

Como um dia disse alguém, o fair play é uma treta. Talvez seja. E, se calhar, okarma também. Mas há dias em que aparece. Anteontem, no Estádio do Dragão, o FC Porto venceu o Tondela graças a um brinde de Sulley, que ao tentar colocar a bola num companheiro teve a infelicidade de isolar Marega. Atenção, quando digo infelicidade quero mesmo dizer infelicidade. Porque as infelicidades acontecem até aos melhores do Mundo - não é sequer, convenhamos, o caso de Sulley. A mesma infelicidade explica, por exemplo, que Rosic tenha, há uma semana, metido a bola nos pés de Jiménez quando a tentava colocar num companheiro de equipa, isolando o avançado do Benfica, que nem sequer foi, na pedreira, tão eficaz com foi Marega no Dragão.
É, bem vistas as coisas, de uma ironia suprema que tenha acontecido num jogo com o FC Porto, que através de televisões, facebooks, twitters, blogues e comentadores (com mais ou menos assumida cartilha) não se cansou de bater nos jogadores do Tondela por terem levado cinco do Benfica e nos do SC Braga por terem perdido em casa por 1-3 com os encarnados (afinal de contas, o FC Porto só lá ganhou por 1-0), dando como exemplos para o facilitismo dos bracarenses o tal passe de Rosic e um remate falhado de Ricardo Horta. Talvez percebam agora que são, só, momentos infelizes. Mesmo que não tão infelizes. Mesmo que não tão infelizes como as palavras (ditas ou escritas) de quem quer fazer dos outros labregos.

Como um dia disse alguém, o fair play é uma treta. Talvez seja. Para alguns é até expressão que nem existe no dicionário. São aqueles para quem vale tudo para ganhar, esquecendo-se de que, feitas as contas, tudo se começa a ganhar no campo. Fez bem Abel Ferreira em dar um muro na mesa. Alguém tem de fazê-lo, mesmo que no meio de tanto ruído sejam poucos os que ouvem. Colocar em causa a honra de treinadores e jogadores só porque perderam um jogo é abjecto. É imoral. A esses talvez um dia o karma também lhes apareça à porta."

Ricardo Quaresma, in A Bola

domingo, 21 de janeiro de 2018

O DISCURSO DE ABEL


"Lançar ondas de suspeição sobre o desempenho das equipas está a tornar-se uma perigosa moda no futebol português. Antes era o discurso de adeptos: "Contra nós dão tudo, contra os outros não correm". Agora chegou aos presidentes, directores de comunicação e até treinadores. Foi Sérgio Conceição sobre o Tondela. Foi Bruno de Carvalho em relação ao Braga. Foi Abel a dar murros na mesa e a dizer "basta", reagindo às varias acusações de que ele e a sua equipa foram vítimas na última semana.
Neste circo, tantas vezes reles e barato, fazem falta homens como Abel. Serenos, respeitadores, mas capazes de colocar o dedo na ferida de todos aqueles que insistem em arrastar o futebol português para a lama. Os casos já são muitos. As polémicas aumentam semana após semana. Uma novela escrita a ódio. E depois vem o jogo dentro do campo. Esse empecilho que rouba tempo aos outros temas. Há aqui uma perigosa inversão e a clara transformação do futebol num estado de guerra. Não é isso. Nunca foi isso. Nem pode ser.
A violência das palavras pode não marcar golos, muito menos ganhar jogos, mas faz do futebol um lugar pouco recomendável. Enquanto muitos dizem o que querem, outros (como o presidente da Liga) tornam-se mudos. E o futebol português vai-se arrastando para uma selva anárquica. Sobra Abel, e outros como ele, que mostram a indignação pelo que se passa e, tantas vezes, ficam a falar sozinhos. Mas felizmente ainda há quem fale quando outros, com mais obrigações, preferem viver no silêncio e no faz de conta que está tudo bem. Não está. E é preciso parar de fingir."

A RAIVA DE UM HOMEM BOM


"1. Abel Ferreira explodiu . Ele é, afinal, uma das vítimas do clima de ódio que grassa no futebol português, promovido tanto por gente com responsabilidade, como, e principalmente nas redes sociais, pelo mais idiota dos cobardes, que difama no anonimato. O treinador do Sp. Braga disse ainda algo que deve servir para todos: antes um mau profissional do que um profissional desonesto. 

Jesus e os novos sinais de deslumbramento
2. O treinador do Sporting não tem culpa da displicência revelada pelos avançados nas várias ocasiões de que dispuseram para ‘matar’ o jogo em Setúbal. Mas já tem responsabilidades noutras questões, mesmo que indirectamente relacionadas com o empate consentido nos minutos finais. Jorge Jesus viu chegar uma série de jogadores, mas nem por isso não roda devidamente o plantel. Aliás, a primeira substituição no Bonfim foi feita aos 85’! Nas últimas conferências de imprensa voltou, por outro lado, a dar sinais de um perigoso deslumbramento, autoconvencido de que o seu ‘génio’ resolve tudo. E não é bem assim...

Os empates que são mais do que derrotas
3. O empate consentido pelo Sporting em Setúbal é altamente desmoralizador, tal como o treinador o reconheceu. Os leões tinham obrigação de ganhar o jogo, tiveram produção futebolística mais do que suficiente para consegui-lo e, pior do que tudo, perderam a liderança da Liga para o FC Porto, sendo que o rival tem ainda 45 minutos de um outro jogo para disputar. Neste cenário, o encontro de quarta-feira para a meia-final da Taça CTT ganha muito maior importância para os leões e poderá ser determinante para a confiança da equipa até final da temporada."

JUSTA CAUSA DESPORTIVA


"Como acontece na relação entre qualquer trabalhador e a sua entidade empregadora, também entre um atleta e o clube com o qual tem um contrato de trabalho, existe o dever geral de o cumprir integralmente. Por regra, o contrato apenas pode cessar quando atingir o termo estabelecido ou, em momento anterior a esse, mediante acordo das partes. Sem prejuízo deste princípio geral, qualquer das partes pode fazer crescer o contrato de trabalho se algum dos deveres estabelecidos for incumprido. Nesse caso, tem a parte contra a qual o dever foi desrespeitado o direito a fazer cessá-lo com justa causa, sem ter de pagar qualquer indemnização à outra parte. Um caso clássico é a falta de pagamento da retribuição, que dá ao trabalhador o direito a resolver o contrato com justa causa; ou um determinado número de faltas injustificadas do trabalhador, que dá ao empregador o direito de cessar a relação contratual também sem consequências.
Mas se as partes estiverem sujeitas à aplicação das regras definidas no Regulamento do Estatuto e Transferências dos Jogadores da FIFA, têm ainda de ter em atenção uma especial circunstância de justa causa para o jogador fazer cessar o seu contrato de trabalho: a justa causa desportiva. Diz o artigo 15 do referido Regulamento da FIFA, em suma, que um jogador que, durante uma época, tenha jogado em menos de 10% dos jogos oficiais pode fazer cessar o contrato com justa causa desportiva, a qual será sempre analisada caso a caso. Neste caso, não existirão consequências desportivas para o jogador mas pode ter de pagar uma indemnização ao clube. Esta norma levanta, no entanto, algumas dúvidas de interpretação que abordaremos em outro artigo."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

JUVENIS DO BENFICA ENTRAM A VENCER NA ALKASS INTERNATIONAL CUP


FUTEBOL
Águias derrotaram a turma chinesa do Guangzhou Evergrande, por 4-0.
Os Juvenis do Benfica encontram-se no Qatar para disputar a Alkass International Cup. No jogo inaugural do grupo A, as águias derrotaram os chineses do Guangzhou Evergrande, por 4-0.
Os golos encarnados surgiram sob a forma de bis de Hugo Nunes (37’ e 87’) e Gonçalo Oliveira (39’ e 66’), mas o destaque maior terá de ser dado a Jair Tavares. O criativo extremo espalhou talento no relvado e participou no segundo tento de Hugo Nunes com uma grande jogada.


A competição criada em 1996 junta grandes emblemas do futebol mundial. Para além do clube português estão presentes emblemas como o Real Madrid, o Paris Saint-Germain ou o Tottenham.

No próximo dia 24 de janeiro, os Juvenis enfrentam a Aspire Academy.